O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão (GIG), tem um novo operador. No dia 6 de outubro de 2026, a Aena assumiu a gestão do aeroporto, depois de vencer, em março, o leilão da chamada venda assistida da concessão, com um lance de R$ 2,9 bilhões, mais de três vezes o valor mínimo exigido. A concessão vai até 2039.
A mudança fecha um capítulo longo de incerteza para o principal aeroporto internacional do Rio. O Galeão passou anos perdendo voos e passageiros, enquanto o Santos Dumont, no centro da cidade, concentrava o movimento doméstico. Com a entrada da Aena, a expectativa é de que o aeroporto volte a crescer, com mais rotas internacionais e mais investimentos na operação.
O que é a Aena e o que ela já opera no Brasil
A Aena é a maior operadora aeroportuária do mundo em número de passageiros e já estava presente no Brasil desde 2019. Com o Galeão, a Aena Brasil passa a administrar 18 aeroportos no país, que juntos movimentam mais de 62 milhões de passageiros por ano.
Entre os aeroportos da rede estão Congonhas, em São Paulo, e Recife, em Pernambuco, dois dos principais polos da companhia no Brasil. É justamente essa rede que sustenta o plano para o Galeão: em vez de olhar para o aeroporto do Rio de forma isolada, a Aena quer usá-lo como peça de uma malha maior, com conexões entre voos domésticos e internacionais.
Para quem acompanha a aviação brasileira, o movimento tem um significado claro. Operadoras com vários aeroportos conseguem negociar rotas com as companhias aéreas oferecendo um pacote: um voo internacional que chega ao Galeão pode se conectar com destinos domésticos na rede da empresa, e vice-versa. É esse tipo de combinação que costuma convencer uma companhia a abrir ou ampliar uma rota.
Por que o Galeão precisava de uma virada
O Galeão é o aeroporto com a maior pista e a maior capacidade para voos de longa distância no Rio, mas vinha operando abaixo do seu potencial. Em 2025, o aeroporto movimentou 17,8 milhões de passageiros, dos quais 5,7 milhões em voos internacionais. É um número relevante, mas distante do que o aeroporto já chegou a movimentar em seus melhores anos.
Enquanto isso, o Santos Dumont, administrado pela Infraero, seguiu como o aeroporto do centro do Rio, com foco no tráfego doméstico e na ponte aérea. Nos últimos anos, medidas como o teto de voos no Santos Dumont ajudaram a devolver movimento ao Galeão, mas a virada definitiva dependia de um operador com fôlego para investir e para atrair companhias aéreas de volta.
Quem já conhece os dois aeroportos do Rio percebe a diferença na prática: o Santos Dumont é o aeroporto da cidade, colado ao centro, enquanto o Galeão é o aeroporto das viagens longas, dos voos internacionais e das conexões. Se você ainda não conhece essa divisão, vale ler o guia do aeroporto no centro do Rio.
Os planos: mais conectividade e novos negócios
O plano apresentado pela Aena para o Galeão tem dois eixos: ampliar a conectividade e desenvolver novos negócios no aeroporto. Na prática, isso significa atrair novas rotas internacionais, fortalecer as que já existem e melhorar a experiência de quem passa pelo terminal, com mais serviços, lojas e opções para o passageiro.
A análise do setor aponta que a intenção da companhia é fortalecer a malha de rotas nos seus três principais aeroportos brasileiros, Galeão, Congonhas e Recife, incluindo serviços que liguem o mercado doméstico a novos destinos internacionais. Para o Rio, isso pode significar mais voos diretos para a Europa, os Estados Unidos e a América Latina, além de mais frequências nas rotas que já existem.
É importante entender o que isso não significa. Nenhuma rota nova foi anunciada junto com a transferência da concessão. A abertura de voos depende de negociação com cada companhia aérea, de demanda, de aeronaves disponíveis e de acordos bilaterais. O que mudou, por enquanto, é quem comanda o aeroporto e a estratégia declarada: o Galeão volta a ser tratado como prioridade internacional da Aena no Brasil.
O que muda para o passageiro e para quem trabalha na aviação
Para o passageiro, a mudança tende a aparecer aos poucos: novas rotas anunciadas ao longo dos próximos meses, mais opções de conexão e, com o tempo, investimentos no terminal. Quem voa com frequência para o Rio deve ficar de olho nos anúncios de malha das companhias, porque é ali que a nova gestão vai se traduzir em voos de verdade.
Para quem trabalha ou quer trabalhar na aviação, o recado é parecido. Mais rotas internacionais significam mais demanda por tripulantes, agentes de aeroporto, despachantes e profissionais de atendimento. O Galeão é também um dos aeroportos onde o inglês é ferramenta de trabalho diária, do check-in ao embarque internacional, e um aeroporto em expansão costuma abrir portas para quem já está preparado.
E há um detalhe que interessa a quem planeja viajar: com mais concorrência nas rotas internacionais do Rio, as tarifas tendem a ficar mais disputadas. Antes de comprar, vale revisar como funcionam tarifa, reembolso e remarcação em inglês, para não ser pego de surpresa na hora de comparar ofertas.
O inglês da notícia
A cobertura internacional do setor usa alguns termos que valem a pena guardar. Concession é a concessão, o contrato pelo qual uma empresa privada opera um aeroporto público por um período. Takeover é a assunção do controle, quando uma empresa passa a comandar a operação. Route network é a malha de rotas, o conjunto de destinos que um aeroporto ou uma companhia atende. Connectivity é a conectividade, a facilidade de ligar um destino a outro por meio de conexões. E passenger traffic é o movimento de passageiros, o número que mede o tamanho de um aeroporto.
Saber esses termos ajuda a acompanhar as notícias do setor sem depender de tradução, e também ajuda na hora de conversar sobre aviação em inglês, seja numa entrevista, seja no dia a dia do aeroporto.
Para completar o vocabulário de aeroporto, vale revisitar dois guias do site: os códigos IATA dos principais aeroportos do mundo e o vocabulário de Guarulhos, o maior aeroporto do Brasil. Juntos com o guia do Santos Dumont, eles cobrem os três aeroportos que mais aparecem na rotina de quem voa no Brasil.
O Galeão entra agora numa fase nova, com um operador experiente, uma concessão longa até 2039 e uma estratégia clara de voltar a crescer no internacional. Os próximos anúncios de rotas vão dizer se a virada vai se confirmar na prática, e este site vai acompanhar cada um deles.

Teacher Raph é comissário de bordo e criador do teacherraph.com, onde publica guias práticos de inglês para aviação, viagens e estudos.
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