A mais de 10 mil metros de altura, não existe pronto-socorro na esquina. Quando um passageiro passa mal durante o voo, quem chega primeiro não é o médico: é o comissário de bordo. É por isso que o treinamento de todo tripulante inclui primeiros socorros — first aid, em inglês — e é por isso que esse vocabulário aparece na formação, nos treinamentos recorrentes e nas provas de quem quer entrar na aviação.
Em voos internacionais, esse atendimento acontece em inglês. O passageiro pode ser estrangeiro, o profissional de saúde a bordo pode ser estrangeiro e o relatório para o comandante precisa ser rápido, claro e sem ambiguidade. Dominar o inglês da emergência médica não é enfeite de currículo: faz parte do trabalho de segurança que define a profissão — a mesma base que sustenta o inglês da demonstração de segurança que todo comissário usa em cada voo.
Nesta matéria, você aprende os equipamentos, os sintomas, as frases do primeiro atendimento e o vocabulário de CPR e AED — do jeito que eles são usados na cabine.
O que é o first aid a bordo (e o que ele não é)
First aid são os primeiros socorros: o atendimento imediato dado a uma pessoa doente ou ferida até que ajuda especializada assuma. A bordo, o papel do comissário é avaliar, estabilizar, comunicar e registrar — não diagnosticar nem medicar por conta própria.
Na prática, a sequência é quase sempre a mesma:
- Assess — avaliar o que está acontecendo: o passageiro está consciente? Respirando? Onde dói?
- Assist — prestar o primeiro atendimento com os recursos de bordo.
- Inform — avisar o comandante com um relatório curto e objetivo.
- Ask for help — procurar um profissional de saúde entre os passageiros.
Os procedimentos exatos variam de companhia para companhia e são ensinados no treinamento oficial de cada empresa. O que não muda em nenhuma delas é a língua desse atendimento em voos internacionais: o inglês.
Os equipamentos de emergência médica em inglês
Toda aeronave comercial voa com equipamentos médicos obrigatórios. Os nomes em inglês que o tripulante precisa reconhecer de imediato:
- First aid kit — o kit de primeiros socorros, com curativos, gazes, luvas e itens básicos de atendimento.
- Medical kit (ou emergency medical kit) — o kit médico mais completo, de uso restrito, aberto apenas com a presença ou a orientação de um profissional de saúde.
- AED (automated external defibrillator) — o desfibrilador externo automático, o aparelho que analisa o ritmo do coração e orienta, por voz, cada passo do atendimento em caso de parada cardíaca.
- Oxygen bottle — o cilindro de oxigênio terapêutico, usado quando o passageiro tem dificuldade para respirar.
- Gloves — luvas de procedimento, usadas em qualquer atendimento.
- Pocket mask — a máscara de bolso usada nas ventilações durante a reanimação.
Esses termos fazem parte do mesmo universo de equipamentos de segurança a bordo em inglês que o comissário confere antes de cada voo, na checagem pré-voo dos itens de emergência.
As frases do primeiro atendimento
A primeira abordagem precisa ser calma, curta e direta. São estas as frases que o comissário usa nos primeiros segundos:
- “Are you feeling unwell?” — Você está se sentindo mal?
- “Where does it hurt?” — Onde dói?
- “Can you breathe?” — Você consegue respirar?
- “Do you have any allergies?” — Você tem alguma alergia?
- “Are you taking any medication?” — Você está tomando algum medicamento?
- “Do you have a medical condition?” — Você tem alguma condição médica?
- “I’m going to help you. Please try to stay calm.” — Eu vou ajudar você. Por favor, tente manter a calma.
Se a situação for séria, o próximo passo é o anúncio que quase todo mundo já ouviu em filme — e que, na vida real, é feito exatamente nestes termos:
- “If there is a doctor or any medical professional on board, please identify yourself to the cabin crew.” — Se houver um médico ou qualquer profissional de saúde a bordo, por favor, identifique-se para a tripulação.
Repare que o anúncio não pede só doctor: ele abre para medical professional, porque enfermeiros (nurses), paramédicos (paramedics) e outros profissionais de saúde também podem ajudar — e ajudam, todos os dias, em voos pelo mundo.
Os sintomas em inglês: o vocabulário que não pode travar
Para avisar o comandante e o profissional de saúde, o comissário precisa nomear o sintoma certo, sem rodeio:
- Chest pain — dor no peito
- Shortness of breath — falta de ar
- Fainting — desmaio
- Dizziness — tontura
- Nausea — enjoo
- Fever — febre
- Allergic reaction — reação alérgica
- Seizure — convulsão
- Choking — engasgo
- Bleeding — sangramento
- Burn — queimadura
- Low blood pressure / high blood pressure — pressão baixa / pressão alta
Também entram no relatório dois dados que mudam qualquer decisão: pulse (pulso) e breathing (respiração). Um relatório típico soa assim: “Passenger in seat 14C, chest pain, breathing with difficulty, pulse fast, oxygen administered.” Curto, técnico e completo — sem uma palavra a mais.
Enquanto um comissário atende, outro cuida do entorno: afastar curiosos, reorganizar os passageiros próximos e acalmar quem está assustado. Para isso, vale o mesmo repertório de frases que o comissário usa para acalmar um passageiro nervoso, porque o nervosismo de quem está em volta também é parte da ocorrência.
CPR e AED: o inglês da reanimação
O cenário mais grave a bordo é a parada cardíaca — cardiac arrest. A resposta tem nome próprio em inglês: CPR (cardiopulmonary resuscitation), a reanimação cardiopulmonar, feita com compressões torácicas (chest compressions) e ventilações (rescue breaths).
O vocabulário desse momento é curto e imperativo, porque não há tempo para frases longas:
- “Start CPR!” — Comecem a reanimação!
- “Call for the AED!” — Tragam o desfibrilador!
- “Attach the pads.” — Colem os eletrodos.
- “Stand clear!” — Afastem-se! (antes do choque, ninguém pode tocar o paciente)
- “Shock advised.” — Choque recomendado (é o próprio AED que anuncia).
- “Resume compressions.” — Retomem as compressões.
Detalhe importante: o AED foi desenhado para guiar quem atende. O aparelho fala — em inglês — cada instrução, passo a passo. Quem domina esse vocabulário não perde segundos tentando entender o que a máquina está pedindo. E os comissários se revezam nas compressões, porque manter o ritmo certo por vários minutos é fisicamente exaustivo: “Switch!” é a palavra que marca a troca.
O relatório ao comandante e a decisão de desviar
Enquanto a cabine atende, o comandante precisa decidir: seguir até o destino ou desviar para o aeroporto mais próximo? Essa decisão usa as informações da cabine e, quando há, o apoio de um serviço médico em terra, que orienta a tripulação por rádio.
O relatório do comissário segue sempre a mesma lógica: quem (idade aproximada e assento), o quê (sintoma principal), desde quando, sinais (pulso, respiração, consciência) e o que já foi feito (oxigênio, kit, CPR). Em inglês, informação fora dessa ordem vira ruído — e ruído, numa emergência, custa tempo.
Se o comandante decidir pelo desvio, entra em cena o inglês dos imprevistos de voo: diversion é exatamente isso, o pouso não programado por motivo operacional ou médico — e a cabine vai precisar explicar tudo de novo, em inglês, para 180 passageiros.
Onde esse inglês é cobrado: formação e seleção
Nada disso é improviso. O treinamento inicial do comissário inclui o módulo de primeiros socorros, e o tema volta nos treinamentos recorrentes ao longo da carreira. Quem ainda está na fase de curso precisa conhecer o básico desse vocabulário desde cedo — é o tipo de conteúdo que se conecta direto com o guia completo da prova da ANAC para comissário de voo e com a rotina de estudos por questões.
E tem um ponto que muita gente esquece: em processos seletivos de companhias com operação internacional, perguntas sobre situações de emergência aparecem justamente para testar o inglês sob pressão. Quem já domina first aid, CPR e AED responde com o termo técnico certo, sem traduzir mentalmente no meio da frase.
Erros comuns de quem traduz do português
- Dizer “make CPR”: o verbo certo é do ou start — “Start CPR now.”
- Chamar o desfibrilador de “defibrillator machine”: o nome dele é AED, e é assim que a tripulação pede.
- Traduzir “passar mal” ao pé da letra: o natural é “feel unwell” ou “feel sick” — “She feels unwell.”
- Confundir allergy com alergy: a grafia certa tem dois L — e é uma das primeiras perguntas de qualquer atendimento.
- Dizer “he has a pressure problem”: o correto é high blood pressure ou low blood pressure.
Frases de bolso: o resumo da emergência médica em inglês
- Are you feeling unwell? — Você está se sentindo mal?
- Where does it hurt? — Onde dói?
- Can you breathe? — Você consegue respirar?
- Do you have any allergies? — Você tem alguma alergia?
- Is there a doctor on board? — Há algum médico a bordo?
- Bring the first aid kit and the AED. — Traga o kit de primeiros socorros e o desfibrilador.
- Start CPR. Stand clear! — Comecem a reanimação. Afastem-se!
- He needs oxygen. — Ele precisa de oxigênio.
Teste rápido: o inglês da emergência médica
1. Como se diz “primeiros socorros” em inglês?
a) first support
b) first help
c) first aid
2. O que significa a sigla AED?
a) automated external defibrillator
b) automatic emergency device
c) aviation emergency department
3. Qual é a frase certa para pedir que ninguém toque no paciente antes do choque?
a) “Hands up!”
b) “Stand clear!”
c) “Sit down!”
4. Como o comissário pergunta “onde dói?” em inglês?
a) “Where does it hurt?”
b) “Where is the hospital?”
c) “How old are you?”
5. O que é “shortness of breath”?
a) dor de cabeça
b) falta de ar
c) tontura
Gabarito: 1-c · 2-a · 3-b · 4-a · 5-b
Dominar o inglês dos primeiros socorros é dominar o inglês do momento em que o comissário mais importa. É vocabulário de segurança, de prova e de seleção — e, acima de tudo, é o tipo de fluência que, um dia, pode fazer diferença de verdade a bordo.
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Teacher Raph é comissário de bordo e criador do teacherraph.com, onde publica guias práticos de inglês para aviação, viagens e estudos.
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