A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) divulgou em 26 de outubro o balanço da edição Recife do Asas para Todos, o programa que aproxima estudantes do setor aéreo. Realizada entre 29 de junho e 2 de julho, em parceria com a UniNassau e com o apoio de dez instituições parceiras, a iniciativa reuniu 230 alunos de 20 escolas da Região Metropolitana do Recife e ofertou 70 oportunidades de formação profissional.
Um aviso importante antes de tudo: não se trata de uma inscrição aberta. A edição do Recife já aconteceu; o que a ANAC divulgou agora foi o resultado dela. Mas o balanço interessa a quem quer entrar na aviação, porque mostra exatamente por onde começam as portas de entrada do setor — e quais formações as empresas e os órgãos mais procuram.
O que foram as 70 oportunidades
As 70 oportunidades incluíram bolsas para cursos de Ciências Aeronáuticas, formação em segurança da aviação civil (AVSEC) e capacitação para pilotos e comissários de voo. Ou seja, o programa não ficou só na palestra motivacional: ele conectou os estudantes a caminhos concretos de qualificação, do curso superior às formações de entrada no mercado.
A programação começou com o Curso de Introdução à Aviação Civil e Carreiras Aeronáuticas, que apresentou o papel da regulação no setor e aproximou os jovens de profissionais de diferentes áreas. Entre os temas estiveram os fundamentos da aviação civil, o papel dos órgãos que compõem o sistema brasileiro e suas responsabilidades, aeródromos, aeroportos, operações aéreas e infraestrutura aeroportuária. Também entraram na pauta as tendências que estão transformando o setor, como os eVTOLs e a nova mobilidade aérea, o uso de drones e o combustível sustentável de aviação (SAF).
Para quem ainda confunde as siglas do setor, vale revisar ANAC, DECEA e CENIPA em inglês: como explicar os órgãos da aviação brasileira sem traduzir ao pé da letra — entender quem regula, quem controla o tráfego e quem investiga acidentes é parte do que o curso introdutório apresentou aos estudantes.
Carreiras de solo e carreiras do ar
A programação separou bem os dois mundos da aviação. Nas atividades voltadas às carreiras de solo, os estudantes conheceram áreas como manutenção aeronáutica, segurança aeroportuária, serviços auxiliares ao transporte aéreo, administração aeroportuária e investigação de acidentes aeronáuticos, em apresentações conduzidas por profissionais da Azul, da Aena, da Dnata e do Seripa II, entre outros.
Já nas atividades de carreira do ar, pilotos, comissários e controladores de voo compartilharam experiências e perspectivas de carreira — incluindo os caminhos para a formação de pilotos, apresentados pelo Aeroclube de Pernambuco. O tema drones também integrou a programação. Essa divisão é útil para quem está escolhendo um rumo: nem toda carreira na aviação passa pela cabine, e nem toda porta de entrada exige o mesmo curso.
Para quem mira a cabine, o passo seguinte depois de um programa como esse costuma ser a formação de comissário e a prova da ANAC — o guia completo está na prova ANAC de comissário de voo.
A experiência prática: aeroporto e voo da descoberta
A parte mais marcante do programa foi prática. Os estudantes conheceram de perto a rotina do Aeroporto Internacional do Recife, por onde circulam em média quase 33 mil passageiros por dia, e tiveram contato com áreas como operações, AVSEC, Safety, manutenção, serviços, comercial, TI e segurança do trabalho — os bastidores que sustentam cada voo.
E trinta alunos participaram do chamado voo da descoberta, um passeio aéreo com rota local promovido pela Azul em parceria com o Aeroclube de Pernambuco. O programa contou ainda com mais de 80 profissionais voluntários, cinco aeronaves e mais de dez voos exclusivos. Uma das estudantes, que antes não conhecia a diversidade de profissões da aviação, saiu do programa candidata a uma das bolsas para o curso de comissária de bordo — o tipo de efeito que o programa busca provocar.
O recado sobre as mulheres na aviação
Durante a cerimônia de encerramento, o diretor-presidente da ANAC, Tiago Faierstein, destacou que a aviação civil brasileira vive um momento de expansão e precisa de novos profissionais — e chamou atenção para a participação feminina no setor. Segundo ele, as mulheres representam menos de 5% dos pilotos no mundo e menos de 3% no Brasil, cenário que a agência pretende ajudar a transformar. “Nós precisamos de mais mulheres na aviação. Vamos trabalhar para duplicar esse número. Precisamos de vocês, nova geração”, disse.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, lembrou que o país alcançou a marca de 130 milhões de passagens vendidas no último ano, reforçando a importância de formar mão de obra qualificada para acompanhar o ritmo de expansão da atividade.
O inglês da notícia
O vocabulário do programa ajuda quem está estudando inglês para a aviação:
- Scholarship — bolsa de estudos (como as bolsas de Ciências Aeronáuticas ofertadas).
- Training — formação, capacitação, treinamento.
- Aviation security (AVSEC) — segurança da aviação civil, a área que cuida da proteção contra atos de interferência ilícita.
- Ground staff / air crew — pessoal de solo / tripulação de voo, a divisão que o programa mostrou na prática.
- Discovery flight — voo de descoberta, o passeio aéreo dos 30 alunos.
Se a ideia é transformar uma oportunidade dessas em vaga, o próximo passo é preparar a apresentação: o currículo em inglês para comissário de bordo mostra o que colocar e o que cortar, e as 20 perguntas e respostas da entrevista para comissário de voo da Latam antecipam o que os recrutadores perguntam.
E a próxima edição?
A ANAC não anunciou, neste balanço, datas de uma próxima edição do Asas para Todos. Para quem se interessou, o caminho é acompanhar os canais oficiais da agência e das instituições parceiras — programas de inclusão como esse costumam abrir novas turmas por região, e o balanço do Recife mostra que vale ficar atento. Enquanto isso, o recado do programa fica: a aviação tem muito mais portas do que a cabine do avião, e a primeira delas pode ser um curso introdutório, uma bolsa ou uma visita a um aeroporto.
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Teacher Raph é comissário de bordo e criador do teacherraph.com, onde publica guias práticos de inglês para aviação, viagens e estudos.
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