É possível trabalhar como comissário de voo em helicópteros? Qual curso é necessário? Quantas horas de voo são exigidas? E existe uma licença específica para essa função?
Essas são dúvidas comuns entre profissionais que desejam trabalhar em operações aéreas diferenciadas, especialmente na aviação executiva, táxi-aéreo e outros segmentos que utilizam helicópteros.
A primeira informação é fundamental: a ANAC não possui uma licença denominada “Comissário de Helicóptero”.
O título regulamentar é Comissário de Voo, e a atuação profissional depende da licença, da habilitação correspondente à aeronave, dos treinamentos exigidos e, principalmente, das características da operação.
O RBAC 63, atualmente aplicável às licenças e habilitações de comissários de voo e mecânicos de voo, estabelece os requisitos para a carreira. A própria ANAC informa que a licença de Comissário de Voo é concedida dentro desse regulamento.
Existe comissário de voo em helicóptero?
Sim, pode existir a função de comissário em determinadas operações com helicópteros, mas é incorreto tratar “comissário de helicóptero” como uma licença independente.
Essa distinção é importante.
O profissional é licenciado como Comissário de Voo (CMS). Para exercer suas funções em determinada aeronave, ele também precisa atender aos requisitos de habilitação e treinamento correspondentes.
A ANAC estabelece que, junto à concessão da licença, é averbada uma primeira habilitação de tipo para o modelo específico de aeronave — ou, conforme o caso, para um grupo de modelos — no qual o comissário demonstrou cumprir os requisitos regulamentares.
Portanto, possuir uma licença de comissário não significa automaticamente estar qualificado para trabalhar em qualquer aeronave.
O que é um “comissário de helicóptero”?
A expressão “comissário de helicóptero” é uma forma utilizada para descrever profissionalmente o comissário que atua em uma operação envolvendo helicópteros.
Do ponto de vista regulatório, entretanto, a referência continua sendo a licença de comissário de voo.
Isso significa que o candidato não deve procurar na ANAC uma licença específica com o nome “Comissário de Helicóptero”.
O caminho é obter a licença de Comissário de Voo e, posteriormente, cumprir os requisitos relacionados à aeronave e à operação na qual pretende trabalhar.
Quais são os requisitos para ser comissário de voo?
Segundo o serviço oficial da ANAC, atualizado em 2026, o candidato à licença de Comissário de Voo precisa cumprir requisitos previstos na Subparte D do RBAC 63.
Entre eles estão:
- Ter 18 anos completos;
- Ter concluído o ensino médio;
- Atender aos requisitos documentais aplicáveis;
- Possuir CMA de 2ª classe válido, conforme o RBAC 67;
- Realizar o treinamento inicial previsto em programa aprovado pela ANAC;
- Cumprir a experiência em rota exigida;
- Ser aprovado no exame prático.
A ANAC também informa requisitos relacionados à quitação eleitoral e, para homens dentro da faixa etária indicada no serviço oficial, à situação militar.
Além disso, o candidato precisa ser capaz de ler, escrever, falar e compreender português, conforme os requisitos do RBAC 63.
Precisa fazer curso de comissário de voo?
Essa é uma das maiores dúvidas de quem está começando.
Atualmente, a ANAC não exige a realização de um curso teórico específico nem um exame teórico para a concessão da licença de Comissário de Voo.
Isso, porém, não significa que o candidato possa obter a licença sem treinamento.
A regulamentação exige treinamento inicial, com currículo teórico e demais conteúdos previstos em programa de treinamento aprovado pela ANAC.
Na prática, portanto, o candidato deve procurar uma instituição ou empresa que ofereça treinamento compatível com os requisitos regulamentares e com as etapas necessárias para sua contratação e qualificação.
O que é estudado durante o treinamento?
O treinamento prepara o futuro comissário para atuar em situações normais e de emergência.
Dependendo do programa aprovado e da operação, podem ser abordados assuntos como:
- Regulamentação aeronáutica;
- Funções e responsabilidades do comissário;
- Segurança de voo;
- Procedimentos de emergência;
- Evacuação;
- Equipamentos de emergência;
- Primeiros socorros;
- Medicina aeroespacial;
- Sobrevivência;
- Fatores humanos;
- Artigos perigosos;
- Atendimento aos passageiros;
- Comunicação;
- Inglês técnico e terminologia aeronáutica.
O conteúdo não deve ser entendido apenas como preparação para atendimento ao passageiro.
O comissário exerce uma função diretamente relacionada à segurança da operação, auxiliando o comandante no cumprimento das normas de segurança e executando as tarefas previstas para a função.
Quantas horas de voo são necessárias?
Uma das informações mais importantes para quem pretende ingressar na profissão está no requisito de experiência em rota.
O RBAC 63 estabelece mínimo de cinco horas de voo desempenhando as funções de comissário de voo, sob supervisão de um instrutor de comissários de voo.
A ANAC também pode estabelecer carga horária complementar quando considerar necessário para atender satisfatoriamente ao requisito de experiência.
Existe ainda a possibilidade prevista no regulamento de realização da experiência em dispositivo de treinamento de cabine de passageiros, observadas as condições estabelecidas pela norma.
Outro detalhe importante é que essa experiência ocorre dentro das condições regulamentares e não significa simplesmente acumular cinco horas como passageiro em uma aeronave.
Como funciona o exame prático?
Depois de cumprir os requisitos de treinamento e experiência, o candidato precisa ser aprovado em um exame prático.
O objetivo não é apenas verificar se o candidato memorizou procedimentos.
De acordo com o RBAC 63, a avaliação considera uma combinação de conhecimentos, habilidades e atitudes, de acordo com os níveis de desempenho estabelecidos para a execução das tarefas com o padrão de segurança exigido.
Essa etapa é fundamental para a concessão da licença e da habilitação correspondente.
E a habilitação de tipo?
Esse é um dos pontos mais importantes para quem pensa especificamente em trabalhar com helicópteros.
A licença de Comissário de Voo está associada a uma habilitação de tipo correspondente à aeronave ou ao grupo de aeronaves autorizado pela ANAC.
A primeira habilitação é averbada juntamente com a concessão da licença, considerando a aeronave para a qual o candidato demonstrou competência no exame prático.
Para adicionar uma habilitação posteriormente, a ANAC estabelece requisitos específicos.
O serviço oficial para inclusão de habilitação informa que o comissário deve:
- Realizar treinamento de solo previsto em programa aprovado pela ANAC para a aeronave correspondente;
- Ser aprovado no exame prático aplicável.
Esse treinamento pode estar relacionado a empresas certificadas segundo o RBAC 121 ou RBAC 135, além de operadores enquadrados nos RBAC 90 ou 91, conforme a regulamentação aplicável.
O RBAC 135 permite operações com helicópteros?
Sim.
O RBAC 135 é uma regulamentação importante para determinadas operações de transporte aéreo público e contempla operações com helicópteros.
A própria ANAC descreve o RBAC 135 como regulamento relacionado a operações de transporte aéreo público que incluem helicópteros em seu escopo.
Entretanto, existe uma diferença essencial:
O fato de uma operação utilizar helicópteros não significa automaticamente que ela seja obrigada a ter um comissário de voo.
A necessidade de comissário depende dos requisitos aplicáveis à operação, à aeronave, à configuração e à composição da tripulação.
Por isso, não é correto afirmar que todo helicóptero de transporte de passageiros precisa necessariamente contar com um comissário.
Todo helicóptero de passageiros precisa de comissário?
Não necessariamente.
Essa talvez seja a informação mais importante para quem está pesquisando essa carreira.
O número e a composição dos tripulantes dependem das regras aplicáveis àquela operação e das características da aeronave.
No RBAC 135, por exemplo, existem requisitos específicos relacionados à composição da tripulação e à operação da aeronave.
Assim, antes de investir em uma formação pensando exclusivamente em helicópteros, o candidato deve pesquisar:
- Qual é o operador;
- Qual é o tipo de operação;
- Qual é o modelo de helicóptero;
- Qual é a configuração da aeronave;
- Se existe função de comissário naquela operação;
- Quais habilitações são exigidas;
- Quais treinamentos adicionais são necessários.
Onde um comissário pode trabalhar em operações com helicópteros?
O mercado pode envolver diferentes segmentos.
Dependendo do operador e da autorização da operação, podem existir oportunidades relacionadas a:
- Aviação executiva;
- Táxi-aéreo;
- Transporte de passageiros;
- Operações corporativas;
- Operações offshore;
- Serviços especializados que incluam atividades compatíveis com a função;
- Empresas que utilizam helicópteros em operações específicas.
No entanto, não se deve presumir que todas essas operações empreguem comissários.
A existência da vaga depende das necessidades do operador e das exigências regulamentares aplicáveis.
Por isso, a melhor estratégia profissional é pesquisar vagas reais e verificar quais empresas efetivamente utilizam comissários em suas operações com helicópteros.
O inglês é importante para trabalhar com helicópteros?
Sim.
O inglês pode ser um diferencial significativo, especialmente em operações executivas, corporativas e internacionais.
O profissional pode encontrar passageiros estrangeiros, tripulantes de diferentes nacionalidades, documentação técnica e situações em que a comunicação em inglês seja necessária.
Além disso, o próprio conteúdo relacionado à formação de comissário inclui conhecimentos de inglês técnico.
Para quem pretende trabalhar em segmentos mais especializados, vale a pena desenvolver vocabulário relacionado a:
- Segurança;
- Atendimento ao passageiro;
- Equipamentos;
- Emergências;
- Procedimentos;
- Localização dentro da aeronave;
- Instruções de segurança;
- Comunicação profissional.
Quais características um comissário de helicóptero deve ter?
Além da formação regulamentar, algumas competências podem fazer diferença na contratação.
Comunicação
O profissional precisa transmitir informações de forma clara, objetiva e segura.
Postura profissional.
Em operações executivas, o contato com passageiros pode exigir elevado padrão de apresentação e atendimento.
Disciplina operacional
Procedimentos de segurança devem ser seguidos exatamente conforme os treinamentos e manuais aplicáveis.
Trabalho em equipe.
O comissário trabalha integrado à tripulação e deve manter comunicação eficiente com os demais profissionais.
Controle emocional
Situações de emergência exigem concentração e capacidade de executar procedimentos mesmo sob pressão.
Atendimento ao passageiro
A experiência do cliente pode ser importante, principalmente na aviação executiva.
Conhecimento de segurança
O atendimento é apenas uma parte da função. A segurança continua sendo uma das principais responsabilidades do comissário.
Passo a passo: como seguir essa carreira.
Para quem deseja transformar esse objetivo em uma carreira, o caminho pode ser organizado da seguinte maneira:
1. Conclua o ensino médio.
O ensino médio ou equivalente é requisito para a licença.
2. Obtenha o CMA.
O candidato deve possuir o Certificado Médico Aeronáutico adequado e válido, conforme os requisitos aplicáveis.
3. Faça o treinamento inicial
O treinamento deve seguir programa aprovado pela ANAC.
4. Cumpra a experiência em rota
O RBAC 63 estabelece o mínimo de cinco horas de voo desempenhando as funções de comissário, sob supervisão de instrutor, observadas as condições regulamentares.
5. Realize o exame prático
O candidato deverá demonstrar os conhecimentos, habilidades e atitudes necessários.
6. Obtenha a licença e a primeira habilitação
Após cumprir os requisitos, a empresa empregadora realiza o procedimento de concessão junto à ANAC, conforme o processo oficial.
7. Busque operadores que utilizem helicópteros.
Nesse momento começa uma etapa fundamental: encontrar empresas cuja operação realmente possua espaço para profissionais de cabine.
8. Faça os treinamentos específicos.
Caso seja necessário adicionar uma habilitação de tipo, o profissional deverá cumprir o treinamento e o exame prático correspondentes.
Quanto ganha um comissário que trabalha em helicópteros?
Não existe um salário oficial único para a profissão.
A remuneração pode variar de acordo com:
- Empresa;
- Região;
- Experiência;
- Escala;
- Tipo de operação;
- Aeronave;
- Responsabilidades;
- Benefícios;
- Perfil dos passageiros;
- Regime de contratação.
Por isso, promessas de salários fixos para “comissários de helicóptero” devem ser analisadas com cautela.
O mais correto é consultar vagas reais e comparar as condições oferecidas pelos operadores.
É difícil conseguir emprego nessa área?
Pode ser mais restrito do que o mercado tradicional de comissários de companhias aéreas.
Isso acontece porque o número de operações que efetivamente utilizam comissários em helicópteros é menor e bastante dependente do perfil do operador.
Por outro lado, profissionais que combinam:
- Licença de Comissário de Voo;
- Habilitação adequada;
- Experiência operacional;
- Inglês;
- Atendimento premium;
- Boa apresentação;
- Treinamento de segurança;
Podem construir um perfil competitivo para determinados segmentos.
Vale a pena ser comissário em operações com helicópteros?
Para quem gosta de aviação e deseja trabalhar em operações especializadas, pode ser uma carreira interessante.
Mas é importante começar pelo entendimento correto:
não existe uma licença ANAC chamada “Comissário de Helicóptero”.
Existe a licença de Comissário de Voo, regulamentada pelo RBAC 63.
A partir dela, o profissional deve cumprir os requisitos relacionados à habilitação, treinamento e operação em que pretende atuar.
Por isso, antes de pagar por qualquer curso ou treinamento específico, pesquise primeiro quais operadores realmente contratam comissários para operações com helicópteros e quais requisitos essas empresas estabelecem.
Perguntas frequentes sobre comissário de helicóptero
Existe curso de comissário de helicóptero reconhecido pela ANAC?
Não existe uma licença independente chamada “Comissário de Helicóptero”. O profissional é licenciado como Comissário de Voo, e os treinamentos devem atender aos requisitos regulamentares e aos programas aprovados aplicáveis.
Preciso fazer curso teórico para obter a licença?
A ANAC informa atualmente que não é exigida a realização de curso teórico nem exame teórico para a licença de Comissário de Voo. Entretanto, o treinamento inicial continua sendo requisito.
Quantas horas de voo preciso fazer?
O RBAC 63 estabelece mínimo de cinco horas de voo desempenhando funções de comissário sob supervisão de instrutor, observadas as condições da regulamentação.
Posso trabalhar em qualquer helicóptero depois de obter a licença?
Não. A atuação depende da habilitação correspondente, dos treinamentos e dos requisitos específicos da operação.
Todo helicóptero de passageiros precisa de comissário?
Não. A necessidade de comissário depende da operação, da aeronave e dos requisitos regulamentares aplicáveis.
O RBAC 135 é importante para quem quer trabalhar com helicópteros?
Sim. O RBAC 135 regulamenta determinadas operações de transporte aéreo público e inclui helicópteros em seu escopo.
Preciso saber inglês?
O inglês não deve ser visto apenas como uma exigência burocrática. Para quem busca operações executivas ou internacionais, o domínio do idioma pode representar um diferencial profissional importante.
Trabalhar como comissário em uma operação com helicópteros pode parecer uma carreira específica, mas o caminho regulamentar começa de outra forma.
Você não tira uma licença de “Comissário de Helicóptero”.
O profissional obtém a licença de Comissário de Voo e, de acordo com a aeronave e a operação em que pretende trabalhar, precisa cumprir os requisitos de habilitação e treinamento correspondentes.
O processo envolve formação inicial, CMA, experiência em rota, exame prático e habilitação aplicável.
Mais importante ainda: nem toda operação com helicóptero utiliza comissário de voo.
Por isso, quem pretende seguir esse caminho deve pesquisar o operador antes de investir em uma especialização. Essa pesquisa pode evitar gastos desnecessários e ajudar o candidato a direcionar sua formação para as oportunidades que realmente existem no mercado.
Para consultar as regras atualizadas, o candidato deve sempre utilizar as fontes oficiais da ANAC, principalmente o RBAC 63, o RBAC 135 quando aplicável e os serviços oficiais relacionados à licença e às habilitações de Comissário de Voo.
Aviso importante:
As normas da aviação civil podem ser alteradas pela ANAC. Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a regulamentação oficial.
Antes de iniciar treinamento, solicitar licença, realizar exames ou aceitar uma oportunidade profissional, consulte a versão vigente dos regulamentos e confirme diretamente com a empresa ou operador os requisitos aplicáveis à função.
Fontes oficiais
- ANAC — RBAC 63: licenças e habilitações para comissários e mecânicos de voo.
- ANAC — Obter licença para exercer a atividade de Comissário de Voo: requisitos e etapas oficiais.
- ANAC — Incluir habilitação para comissário: requisitos para habilitação adicional de tipo.
- ANAC — RBAC 135: regras aplicáveis às operações abrangidas pelo regulamento.
Atualização editorial: agosto de 2026.
Isenção de Responsabilidade
As informações sobre vagas e processos seletivos são divulgadas apenas para fins informativos e podem sofrer alterações. O Teacherraph não representa nem participa dos processos de contratação das empresas mencionadas. Recomendamos sempre verificar requisitos, prazos e condições diretamente nos canais oficiais da empresa.

Sou o Teacher Raph, comissário de voo nos Estados Unidos e professor de inglês especializado em aviação e carreira internacional. Ajudo comissários de voo, pilotos e profissionais da aviação a dominar o inglês, se destacar em processos seletivos e conquistar oportunidades em companhias aéreas no Brasil e no exterior.
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