Uma das perguntas que eu mais recebo, direta e sem rodeios, é esta: “Raph, quanto realmente dá para ganhar como comissário de voo?”. E eu entendo a curiosidade, porque na internet você encontra desde gente dizendo que se ganha uma miséria até vídeo prometendo salário de dez mil no primeiro mês. A verdade, como quase sempre, está no meio, e é sobre ela que eu quero conversar com você aqui.
Vou te mostrar o piso da categoria, o que as principais companhias pagam e, principalmente, por que o valor que cai na conta no fim do mês costuma ser bem diferente do “salário base” que aparece no contrato. Tudo com fonte, sem achismo.

O que compõe o salário de um comissário?
Aprendi na prática uma coisa que muita gente descobre tarde: olhar só o salário base engana. A remuneração de um comissário é montada em camadas, e é a soma delas que forma o contracheque de verdade.
Tem o salário base, que é o piso fixo. Tem a parte de horas de voo, que é variável e cresce conforme você voa. Tem os adicionais, como noturno, sobreaviso e voo internacional. E tem as diárias, pagas quando você dorme fora da base, que no internacional fazem uma diferença enorme. Guarde isso, porque é aqui que mora a resposta para a pergunta do título.
Qual é o piso salarial da categoria
O piso é definido na Convenção Coletiva de Trabalho negociada pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas, o SNA. Na convenção 2024/2025, ele ficou em torno de R$ 2.694,79, somando salário base e compensação orgânica.
Preciso ser honesto num ponto: esse número é reajustado todo ano. Então não decore o valor como regra eterna. Antes de tomar qualquer decisão, confira a convenção vigente no site do próprio sindicato.
📌 Fonte oficial: Convenção Coletiva 2024/2025 — Sindicato Nacional dos Aeronautas (aeronautas.org.br).
O que pagam GOL, LATAM e Azul
Com base na convenção vigente e em reportagem do G1 de janeiro de 2026, os pisos iniciais aproximados são estes:
| Companhia | Piso inicial aproximado. | Observação: |
|---|---|---|
| LATAM | ~R$ 2.874 | Piso informado na convenção. |
| GOL | ~R$ 2.806 | Piso informado na convenção. |
| Azul | Sem valor mínimo próprio | Não possui acordo específico com piso definido |
Repare numa coisa: a diferença de piso entre elas é pequena. O que muda de verdade no fim do mês não é o piso, é a malha de voos, a escala e o tempo de casa.
Fontes: G1 — “Comissário de bordo: veja salário inicial e como funciona a carreira no Brasil” (2026) e Convenção Coletiva do SNA.
Por que o salário final é maior que o piso

Aqui está o ponto que quase ninguém explica direito. O piso é só o começo da conta. O que faz o contracheque subir são as horas de voo, os adicionais e, acima de tudo, as diárias de voo internacional, muitas vezes pagas em moeda forte.
Na prática, o total mensal costuma ficar entre R$ 4.000 e R$ 6.000, com médias reportadas na faixa de R$ 5,3 mil a R$ 6,1 mil, podendo passar disso em quem voa internacional com frequência e tem mais tempo de carreira.
Iniciante x experiente: a evolução na prática.
No começo, com poucos voos e escala mais nacional, o valor fica mais perto do piso, algo em torno de R$ 3.500 a R$ 4.500. Com três a cinco anos, mais horas e escalas melhores, a faixa comum sobe para R$ 5.000 a R$ 7.000. E quem chega a sênior, chefe de cabine ou escala internacional constante costuma ver R$ 7.000 a R$ 10.000 ou mais.
São estimativas de mercado, e eu faço questão de dizer isso: variam conforme a companhia, a escala e até o câmbio, no caso das diárias internacionais.
Como ganhar mais (o que realmente funciona)
Se eu pudesse resumir em poucas atitudes, seriam estas. Priorize as escalas internacionais, porque é ali que estão as melhores diárias. Invista no inglês de verdade, já que é ele que abre as rotas internacionais e a porta das companhias do exterior. Busque progressão de carreira, porque sênior e chefe de cabine ganham mais. E mantenha sua documentação e a parte da ANAC sempre em dia, porque pendência te tira de escala, e escala parada é dinheiro parado.
Erros que travam o seu salário.
Vejo três erros se repetirem. O primeiro é recusar escala internacional no início, justamente onde estão as melhores diárias. O segundo é deixar o inglês de lado, o que barra as rotas mais rentáveis. E o terceiro, mais silencioso, é não entender o próprio contracheque e confundir o piso com o total, o que gera uma frustração que nem precisava existir.
Onde conferir os dados oficiais?
Não confie só em blog, nem no meu. Cheque a convenção vigente no site do SNA, olhe a CBO 511105 no salario.com.br e acompanhe a página de carreiras de cada companhia. Informação de salário envelhece rápido.
Dizer que “comissário ganha pouco” é olhar só para o piso e parar por aí. Quem entende a estrutura, base mais horas de voo, mais adicionais, mais diárias, enxerga uma profissão em que o salário cresce de verdade com inglês, escala internacional e tempo de casa. Comece pela base sólida e o resto vem com a carreira.
Isenção de responsabilidade: este conteúdo tem finalidade educativa e informativa e se baseia em convenções coletivas públicas, reportagens e experiências de mercado. Valores de piso, salários e faixas citadas podem mudar a qualquer momento e variam conforme a companhia, a escala e o câmbio. Não garantimos rendimento nem contratação. Consulte sempre as fontes oficiais antes de tomar decisões.

Sou o Teacher Raph, comissário de voo nos Estados Unidos e professor de inglês especializado em aviação e carreira internacional. Ajudo comissários de voo, pilotos e profissionais da aviação a dominar o inglês, se destacar em processos seletivos e conquistar oportunidades em companhias aéreas no Brasil e no exterior.
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